O projeto de criação da unidade de conservação da Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, chegou às etapas finais de tramitação no governo do estado. A proposta já passou pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) e aguarda análise da Casa Civil antes de seguir para assinatura.
A iniciativa prevê a criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Serra da Chapadinha, em uma área situada a sudoeste da Chapada Diamantina, entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê. O formato de refúgio de vida silvestre permite conciliar a proteção de espécies e ambientes naturais com determinados usos já consolidados no território.
Água para mais de 80 municípios
A relevância da serra vai muito além dos limites da Chapada. A região é uma das mais importantes zonas de recarga hídrica da bacia do Rio Paraguaçu, por meio da sub-bacia do Rio Una. Essas águas abastecem Salvador, a região metropolitana e mais de 80 municípios baianos, num total superior a 1,7 milhão de pessoas.
A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) conduziu estudos técnicos com escuta às comunidades locais e abriu, em junho, consulta pública sobre a proposta. O processo permitiu a manifestação de moradores, produtores rurais, pesquisadores e entidades ambientalistas sobre os limites e as regras de uso da futura unidade.
A mobilização pela proteção da área ganhou força diante do avanço de projetos de mineração no entorno. Movimentos socioambientais sustentam que a atividade colocaria em risco justamente as nascentes responsáveis pelo abastecimento da capital.
Durante a campanha eleitoral, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que assinaria a criação da unidade assim que o processo chegasse às suas mãos. Ambientalistas cobram agora a definição de um prazo para a conclusão dos trâmites.

