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O acesso da Polícia Federal ao conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelou uma intensa troca de mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, segundo informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar. As conversas, obtidas no âmbito das investigações, indicariam proximidade entre os dois e levantaram questionamentos nos bastidores políticos e jurídicos.

De acordo com os registros analisados pela PF, pouco antes de ser detido por agentes federais no aeroporto de Guarulhos, na noite de 17 de novembro do ano passado, Vorcaro teria enviado uma mensagem ao ministro. “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreveu o banqueiro. Em resposta, Moraes teria encaminhado três mensagens configuradas para visualização única, cujo conteúdo não pôde ser recuperado pelos investigadores.

Ao longo daquele mesmo dia, conforme as mensagens, Vorcaro teria mantido o ministro informado sobre negociações relacionadas à venda do Banco Master e sobre o inquérito que resultaria em sua prisão. Um ponto que chamou atenção nas apurações é que o escritório de advocacia da esposa de Moraes mantinha um contrato avaliado em quase R$ 130 milhões com o banco. Procurado por meio de sua assessoria, o ministro negou ter recebido as mensagens e classificou as informações como “ilação mentirosa” destinada a atacar o Supremo Tribunal Federal.

As conversas interceptadas também indicam episódios de interlocução sobre eventos e articulações envolvendo figuras políticas e empresariais. Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que Moraes teria vetado a participação do empresário Joesley Batista, controlador da J&F, em um evento patrocinado pelo Banco Master. O suposto veto teria ocorrido devido à presença do ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação de Moraes ao STF e que foi alvo de uma gravação feita por Batista no passado.

Nos bastidores da investigação que levou o banqueiro novamente à prisão, cresce a avaliação de que há possibilidade de um acordo de colaboração premiada. Segundo a jornalista Andréia Sadi, dois fatores reforçaram essa hipótese: a reorganização da equipe de defesa de Vorcaro e a recusa de alguns advogados consultados em conduzir uma estratégia baseada em delação.

Paralelamente, as investigações da Polícia Federal também apontam para a atuação de ex-integrantes do Banco Central em favor do banqueiro. Em fevereiro de 2019, Vorcaro teria solicitado ajuda ao então diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, para assumir o controle do Banco Máxima, instituição que posteriormente passou a se chamar Banco Master. Inicialmente, o Banco Central negou a transferência de controle, mas reviu a decisão em outubro do mesmo ano.

Nesta semana, Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, foram alvo de mandados de busca e apreensão. Eles são investigados sob suspeita de terem recebido propina de Vorcaro para atuar como “consultores” dentro da autarquia.

Em meio ao avanço das investigações, o ministro do STF André Mendonça determinou a transferência de Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília. A medida atendeu a um pedido da Polícia Federal, que alegou necessidade imediata de proteção à integridade física do investigado. Antes disso, o banqueiro estava custodiado na Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo.

Para a jornalista Eliane Cantanhêde, o caso amplia a pressão por esclarecimentos. Segundo ela, se Alexandre de Moraes já vinha sendo cobrado sobre o contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório ligado à sua esposa, agora surgem questionamentos adicionais sobre qual seria o papel do ministro — ou a expectativa de Daniel Vorcaro em relação a ele — nesse acordo.

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