O livro Olhos d’Água, da escritora Conceição Evaristo, voltou ao centro do debate sobre censura escolar na Bahia ao ser escolhido para abrir a Biblioteca Manifesto, coleção de obras censuradas idealizada pela cantora Dua Lipa. A presença do título no acervo está ligada a um episódio ocorrido em Salvador.
A professora de História Daniela Torres foi afastada de uma turma e posteriormente desligada do Colégio Vitória Régia, no Cabula, após trabalhar a obra em uma atividade escolar em 2021. O livro havia sido selecionado por uma plataforma de leitura para um concurso do qual a escola participava. Parte dos estudantes e familiares alegou desconforto com a linguagem e os temas abordados.
Coleção reúne cem títulos perseguidos
Inaugurada em junho na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, a Biblioteca Manifesto reúne cem livros que foram alvo de censura, perseguição ou banimento. O projeto é a primeira extensão física do clube de leitura Service95, mantido por Dua Lipa.
Olhos d’Água foi a primeira obra disponibilizada no espaço. A coletânea de 15 contos aborda pobreza, racismo, violência urbana e o cotidiano de mulheres negras. Publicado em 2014, o livro recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas em 2015.
A obra também integra listas de leitura de vestibulares e é reconhecida como uma das principais produções da literatura brasileira contemporânea.
Em entrevista à Agência Pública, Daniela Torres afirmou que o episódio expôs os limites impostos à autonomia docente e ao direito dos estudantes de conhecer perspectivas diferentes, especialmente quando o conteúdo aborda a experiência da população negra.

