Em live de Miami, Flávio Bolsonaro diz que só a mulher sabia da saída do Brasil e fala em disputar a Presidência “antes de 2030”

Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Imagem de arquivo: o senador Flávio Bolsonaro em entrevista no Senado, em abril de 2026.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula no segundo turno da eleição presidencial, fez na noite de sexta-feira (30) sua primeira transmissão ao vivo nas redes sociais desde que chegou a Miami, nos Estados Unidos. Na live, ele afirmou que a decisão de deixar o Brasil foi combinada apenas com a mulher, Fernanda Bolsonaro, para evitar que o plano fosse frustrado, e disse estar disposto a disputar novamente a Presidência da República antes de 2030.

“Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”, declarou o senador, sem explicar em que circunstâncias haveria uma nova eleição presidencial antes do fim do mandato de quatro anos. Segundo Flávio, a decisão de viajar veio depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira (26), dia em que foi intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes. Ele disse temer uma prisão, embora não houvesse ordem judicial nesse sentido.

Viajando de Novo

O que ficou sem resposta

A transmissão não esclareceu pontos centrais da viagem. De acordo com autoridades argentinas, Flávio, a mulher e as duas filhas atravessaram a Ponte Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27), e embarcaram em um avião fretado às 23h30, com escala no Equador antes de Miami. O senador não revelou os veículos usados, as paradas feitas nem quem ajudou no deslocamento de cerca de 1.300 km entre Brasília e a fronteira.

O empresário argentino Luis Grande, dono da Baires Fly, operadora do voo, afirmou ter recebido US$ 150 mil (cerca de R$ 816 mil) de um intermediário residente nos Estados Unidos, sem identificar quem contratou ou pagou a viagem. Flávio também não definiu data para retornar ao Brasil.

Situação judicial

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes do senador a pedido da Polícia Federal, no âmbito de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e, após o descumprimento do prazo, mandou cancelar os documentos comum e diplomático. Registros da imigração americana analisados pelo jornal O Globo indicam que Flávio entrou nos EUA com o número do passaporte diplomático já cancelado e também apresentou um passaporte italiano. A PF investiga o descumprimento da ordem.

Flávio e a família receberam autorização temporária para permanecer nos Estados Unidos, concedida na modalidade de “parole humanitário”, que não equivale a asilo político. Na quarta-feira (28), ele publicou uma carta em que se apresentava como “presidente eleito”; o texto foi apagado e republicado com a expressão “líder” legítimo do Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Lula, e o senador contesta o resultado sem apresentar provas de fraude.

Reuters: Trump não deve apoiar

Reportagem da agência Reuters publicada na sexta-feira (30), com base em autoridades americanas e brasileiras ouvidas sob reserva, apontou que o governo de Donald Trump não pretende apoiar a pretensão de Flávio de se apresentar como líder legítimo do Brasil, embora a posição possa mudar. Segundo a agência, o secretário de Estado, Marco Rubio, recomendou a entrada do senador no país, aprovada por Trump, e o conselheiro Jason Miller teria ajudado a organizar o voo. A Casa Branca encaminhou o pedido de comentário ao Departamento de Estado, que não respondeu. O governo brasileiro e um representante de Flávio também não se manifestaram.

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