Dois empresários de Salvador são presos em operação da PF sobre fraudes em importaçõesOperação Snooker 2 investiga esquema que teria pago milhões em propina a auditor da Receita Federal lotado no aeroporto de Fortaleza.

Dois empresários com endereço em Salvador foram presos na Operação Snooker 2, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Receita Federal e atuação do Ministério Público Federal. A ação investiga uma organização criminosa acusada de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação realizadas pelo Aeroporto Internacional de Fortaleza.

Ao todo, a Justiça Federal autorizou três mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, cumpridos em Salvador e em três cidades cearenses: Fortaleza, Caucaia e Eusébio. Em Salvador, as diligências alcançaram endereços de alto padrão, entre eles um edifício às margens da Baía de Todos-os-Santos e um imóvel no Horto Florestal.

Auditor é apontado como chefe do esquema

O terceiro preso é um auditor-fiscal da Receita Federal apontado pelos investigadores como líder da organização, que atuaria desde pelo menos 2020. Segundo a apuração, ele teria recebido milhões de reais em propina para liberar cargas e repassar informações privilegiadas sobre procedimentos internos do órgão.

Viajando de Novo

De acordo com o MPF, o esquema operava em frentes distintas. Em uma delas, joias de prata eram declaradas como semijoias ou bijuterias de metal comum, com apoio de laudos periciais fraudados. Em outra, empresários subfaturavam a importação de produtos eletrônicos. A estrutura teria ainda um núcleo financeiro responsável por movimentar valores por meio de empresas de fachada abertas em nome de terceiros.

Os levantamentos apontam movimentação de dezenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao grupo, além de valores expressivos em criptoativos incompatíveis com as receitas declaradas. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 26 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas, o sequestro de imóveis e a apreensão de veículos importados, relógios de luxo e uma lancha. A nova fase decorre de provas obtidas após a primeira etapa da operação, realizada em setembro de 2025. A defesa do auditor afirmou que recebeu a prisão com surpresa e que adotará as medidas jurídicas cabíveis para revertê-la.

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