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A guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou no terceiro dia nesta segunda-feira (30), deixando um rastro de mortes, destruição e incertezas no Oriente Médio. Sem indicativos claros de desfecho a curto prazo, o conflito já provocou baixas entre autoridades, militares e civis, além de forte impacto geopolítico e econômico.

Os bombardeios americanos e israelenses começaram na manhã de sábado e, segundo informações oficiais, resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, líder supremo iraniano. No domingo, o Irã lançou ofensivas de retaliação contra Israel e países do Golfo Pérsico, enquanto Washington afirmou ter atingido mais de dois mil alvos em território iraniano.

O Comando Central dos Estados Unidos declarou que a ofensiva teve como foco o programa iraniano de mísseis balísticos e a Marinha do país, incluindo a destruição do quartel-general da Guarda Revolucionária Islâmica e o afundamento de ao menos um navio de guerra iraniano. Já as Forças Armadas israelenses informaram que voltaram a bombardear “o coração de Teerã”, atingindo lançadores de mísseis, sistemas de defesa aérea, centros de comando e prédios do governo.

Na madrugada desta segunda-feira, o Hezbollah atacou Israel, que respondeu com bombardeios em Beirute, deixando ao menos 31 mortos.

Mortes de civis e militares

No Irã, dezenas de pessoas morreram desde o início dos ataques. De acordo com o governo iraniano, uma escola exclusiva para meninas foi atingida por um míssil, deixando mais de 160 crianças mortas. Outras dezenas de soldados, líderes do regime e civis também foram mortos nos últimos dias.

Em Israel, um míssil iraniano atingiu o abrigo antiaéreo de uma sinagoga nos arredores de Jerusalém, matando nove pessoas e deixando cerca de 60 feridos.

Os Estados Unidos confirmaram neste domingo as primeiras mortes entre suas tropas. Segundo o Pentágono, ao menos três soldados morreram e oito ficaram feridos após ataques iranianos contra bases militares americanas em diferentes países do Oriente Médio.

Sem aparecer publicamente desde o início da ofensiva, o presidente Donald Trump afirmou que novas baixas entre militares americanos são “prováveis” e declarou que o conflito pode durar até quatro semanas.

Clima de tensão em Teerã

Em Teerã, um clima de incredulidade tomou conta da população após a morte de Ali Khamenei. Nas primeiras horas do dia, multidões foram às ruas para celebrar a morte do líder. Horas depois, apoiadores do regime também se mobilizaram para lamentar o falecimento, exibindo bandeiras iranianas e fotos do aiatolá.

Um comitê interino assumiu o comando do país até que um novo líder supremo seja escolhido. Segundo Trump, representantes da nova liderança iraniana teriam buscado negociação com Washington, informação ainda não confirmada oficialmente por Teerã.

Reações internacionais

Enquanto o Irã parece cada vez mais isolado, França, Alemanha e Reino Unido divulgaram comunicado conjunto afirmando que estão preparados para adotar “ações defensivas necessárias e proporcionais” para destruir capacidades militares iranianas.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou que o Reino Unido não participou dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, mas acusou o Irã de atingir interesses britânicos e colocar em risco cidadãos do país e aliados na região.

Pressão política e impacto econômico

Para justificar a ofensiva sem autorização prévia do Congresso, Donald Trump afirma que o regime iraniano representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos. No entanto, a Casa Branca ainda não apresentou provas concretas do perigo imediato, o que intensificou críticas no Legislativo e entre parte do eleitorado, majoritariamente contrário ao conflito.

No campo econômico, o impacto foi imediato. O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, provocou disparada nos preços internacionais. O barril do Brent subiu 13% na abertura dos mercados, alcançando US$ 82 — maior alta em 14 meses. Analistas alertam que, sem sinais de trégua, o preço pode ultrapassar novamente os US$ 100 por barril.

No domingo, um navio petroleiro foi atacado na região, ampliando as preocupações com a segurança da navegação e o abastecimento global de energia.

O cálculo estratégico de Trump combina objetivos militares e ambição política, mas especialistas alertam que os desdobramentos são imprevisíveis. O regime iraniano já vinha se preparando para a sucessão de Khamenei, líder idoso e com problemas de saúde, o que adiciona ainda mais incerteza ao cenário.

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