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Uma celebração religiosa de matriz africana terminou em tumulto após a intervenção de um padre no Cemitério Morada da Grande Planície, em Praia Grande, litoral de São Paulo. A confusão ocorreu no último dia 2, durante as homenagens pelo Dia de Finados, e foi registrada em vídeo pelos participantes.

O grupo de matriz africana havia marcado sua celebração para as 14h, enquanto a missa católica estava programada para as 16h. Segundo o líder religioso Leandro Oliveira Rocha, de 44 anos, por volta das 15h30 o padre teria começado a gritar para que todos deixassem o local. Ele afirma ter sido alvo de insultos.
“Se eu estivesse fora do meu horário — o que eu não estava — não dava o direito dele simplesmente me xingar, me insultar e agredir a minha mulher”, declarou ao G1. Leandro afirma que os xingamentos incluíram expressões racistas como ‘macaco, nojento, imundo’. “Isso é triste e feio […] Nos tempos de hoje, não se admite isso”, completou.

A esposa de Leandro passou a filmar a situação no momento em que as ofensas começaram. Nas imagens, é possível ouvir pessoas pedindo respeito. Em um trecho, o padre passa ao lado da mulher, o celular cai e ela afirma ter sido agredida:
“Você é louco? Ele deu uma tapa na minha mão. Ele me deu um tapa”, diz.
Ao fundo, outra pessoa comenta: “Ele não pode fazer isso, isso é intolerância religiosa”.

O líder religioso registrou um boletim de ocorrência na segunda-feira (10). Em nota enviada ao G1, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como “ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo” e injúria racial.

Já a Paróquia Nossa Senhora das Graças, responsável pela missa católica, afirmou que a escala previa 60 minutos para cada grupo religioso e que a celebração das matrizes africanas “ultrapassava o horário de 15h30”. Segundo a instituição, o padre teria pedido a conclusão da cerimônia para que fosse possível preparar o ambiente para a missa.

A paróquia também informou que o padre “entrou com o grupo e permaneceu em silêncio durante todo o tempo, sem se dirigir a qualquer pessoa presente”.

O caso segue em investigação.

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