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A lista de figuras influentes que teriam se beneficiado do crescimento acelerado do Banco Master continua a aumentar, segundo documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado. As informações revelam repasses milionários da instituição, controlada por Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a políticos, ex-ministros e até um ex-presidente da República, ampliando a dimensão do caso.

De acordo com os dados, o banco realizou pagamentos de R$ 18,5 milhões ao ex-ministro Henrique Meirelles e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, empresa associada a Guido Mantega. Também foram identificados R$ 10 milhões destinados ao escritório do ex-presidente Michel Temer, além de R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Antônio Rueda.

Os documentos apontam ainda transferências para empresas do Grupo Massa, vinculado à família do governador Ratinho Jr., incluindo R$ 21 milhões à Massa Intermediação e R$ 3 milhões à Gralha Azul Empreendimentos. Outro destaque é o pagamento de R$ 12 milhões à BN Financeira, ligada à família do senador Jaques Wagner. Todos os citados afirmaram que os serviços prestados foram regulares.

No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que o caso afeta negativamente a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista, relatou ter discutido o tema com o ministro Alexandre de Moraes, alertando sobre possíveis impactos em sua trajetória e sugerindo que o magistrado esclareça eventuais vínculos e se declare impedido em situações relacionadas ao banco. A esposa de Moraes teria firmado contrato milionário com a instituição.

Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou à CPI que não há auditorias ou sindicâncias que apontem responsabilidade do ex-presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, no caso. Segundo ele, não existem evidências formais de irregularidades na atuação do ex-dirigente, cuja gestão foi indicada durante o governo de Jair Bolsonaro.

Por outro lado, o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, é citado nas investigações por supostamente simular a venda de um sítio ao pastor Fabiano Zettel, ligado a Vorcaro, com o objetivo de ocultar o recebimento de propina. Apesar de negar irregularidades, uma sindicância interna já havia apontado indícios de enriquecimento ilícito.

No STF, o ministro André Mendonça indicou que não pretende homologar automaticamente uma eventual delação premiada de Vorcaro. A análise deverá considerar a consistência das informações em relação às investigações conduzidas pela Polícia Federal, com expectativa de apresentação até meados de maio.

Em paralelo, Alexandre de Moraes encaminhou ao plenário do STF uma ação apresentada pelo PT em 2021 que discute limites para acordos de delação premiada. O julgamento, cuja data será definida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, pode estabelecer novos parâmetros para esse tipo de instrumento jurídico e impactar diretamente o caso envolvendo o Banco Master.

A colunista Malu Gaspar avaliou que o governo já percebeu a dificuldade de conter os efeitos do escândalo. Segundo ela, pesquisas indicam desgaste na imagem do STF, e embora o caso não atinja diretamente o Palácio do Planalto, seus desdobramentos podem repercutir politicamente no governo federal.

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