0

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, braço digital do Banco Master, que já se encontrava sob regime de administração temporária desde a intervenção na instituição controladora. Segundo a autoridade monetária, a medida foi adotada diante do comprometimento da situação econômico-financeira do banco digital, agravada pelo não pagamento de dívidas junto à bandeira Mastercard e pelo envolvimento do Will nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no conglomerado financeiro.

Com a decisão, o Will Bank encerra definitivamente suas atividades, atingindo principalmente clientes de baixa renda, público-alvo da instituição. A liquidação deve gerar um impacto estimado em cerca de R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), responsável por cobrir depósitos e aplicações financeiras dentro dos limites legais.

O fim do Will Bank representa o encerramento da última tentativa de preservação de um elo do Grupo Master. Desde novembro, o Banco Central já interveio diretamente em pelo menos seis instituições ligadas ao conglomerado, em um dos episódios considerados mais graves da história recente do sistema financeiro brasileiro.

Paralelamente à crise financeira, o caso também provoca tensões no Judiciário. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) discutem, nos bastidores, estratégias para blindar a Corte das críticas relacionadas à condução do processo envolvendo o Grupo Master pelo ministro Dias Toffoli. Uma das alternativas avaliadas, considerada uma “saída honrosa”, seria a devolução integral do processo à primeira instância. Toffoli, que levou a ação ao STF e determinou sigilo máximo, resiste a abrir mão da relatoria.

O ministro enfrenta críticas não apenas por decisões que o colocaram em rota de colisão com a Polícia Federal e o Banco Central, mas também por relações envolvendo familiares e o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A situação ganhou novos contornos após Cássia Pires Toffoli, cunhada do ministro, negar que seu marido, José Eugênio Dias Toffoli, tenha sido um dos proprietários do resort Tayayá, vendido por R$ 6,6 milhões a um fundo ligado a Zettel. Apesar da negativa, José Eugênio figura como diretor-presidente da Maridt Participações, empresa que detinha um terço do empreendimento e cuja sede funciona em sua residência, em Marília, no interior de São Paulo.

No campo da defesa, outro movimento chamou atenção. O advogado Walfrido Warde deixou a representação de Daniel Vorcaro, em meio a especulações sobre uma possível delação premiada do banqueiro. Warde, segundo apurações, seria contrário à estratégia de colaboração com as autoridades, o que teria motivado seu afastamento do caso, ampliando as incertezas em torno do futuro judicial do controlador do Grupo Master.

Após ameaças, Trump recua em Davos, abandona tarifas à Europa e descarta uso da força na Groenlândia

Artigo anterior

Tarcísio intensifica articulações presidenciais e evita pressão bolsonarista por apoio a Flávio Bolsonaro

Próximo artigo

Você pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais sobre Notícias