O governo federal vai enviar ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 com a previsão de um salário mínimo de R$ 1.741. A informação foi divulgada pela equipe econômica nesta semana, durante a apresentação dos parâmetros que embasam a peça orçamentária.
O valor representa um acréscimo de R$ 120 sobre o mínimo vigente em 2026, de R$ 1.621. Em termos percentuais, o reajuste nominal é de 7,4%, com ganho real — acima da inflação — estimado em 2,4%.
A projeção também superou a estimativa apresentada pelo próprio governo em abril, no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que trabalhava com um piso de R$ 1.717. A diferença é de R$ 24.
Impacto nas contas públicas
O salário mínimo é referência para aposentadorias, pensões, benefícios assistenciais como o BPC, seguro-desemprego e abono salarial. Por isso, cada acréscimo de R$ 1 no piso nacional representa um custo adicional estimado em R$ 413,2 milhões aos cofres públicos. A atualização proposta adiciona, portanto, uma pressão da ordem de R$ 9,9 bilhões sobre as despesas obrigatórias.
O montante ainda não é definitivo. O valor final só será fechado em dezembro, depois da divulgação do INPC acumulado até novembro, índice que corrige o piso pela inflação do período. A política atual combina essa correção com um ganho real atrelado ao crescimento do PIB, limitado pelo arcabouço fiscal.
Na Bahia, o efeito é especialmente sensível: o estado concentra um contingente elevado de beneficiários do INSS e de programas assistenciais que recebem exatamente um salário mínimo, de modo que o reajuste tem impacto direto na renda circulante em centenas de municípios do interior.

