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A possibilidade de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, passou a ser considerada com mais força após sua prisão durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada na semana passada. O eventual acordo de colaboração deverá ser discutido somente após a Polícia Federal concluir a extração de dados dos celulares apreendidos com o empresário.

Durante a prisão, ocorrida em São Paulo, na última quarta-feira, os agentes recolheram três aparelhos telefônicos adicionais que estavam em posse de Vorcaro. A análise desses dispositivos é considerada etapa fundamental para avaliar o conteúdo das comunicações e possíveis desdobramentos da investigação.

Caso a delação avance, parte da equipe jurídica do banqueiro deverá ser substituída. A estratégia discutida nos bastidores é que a eventual colaboração seja firmada diretamente com a Polícia Federal, e não com a Procuradoria-Geral da República, onde aliados do empresário acreditam haver menor probabilidade de aceitação do acordo.

O caso ganhou novas repercussões após informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, que apontou que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, teria frequentado propriedades utilizadas por Vorcaro, incluindo uma mansão em Brasília e uma casa avaliada em cerca de R$ 300 milhões em Trancoso. Em nota oficial, o gabinete do ministro afirmou que a informação é “integralmente falsa”, declarando que Moraes jamais realizou viagens privadas com Vorcaro e que nunca esteve na propriedade mencionada.

A coluna também informou que, em 9 de fevereiro, pouco antes de as ligações telefônicas com o banqueiro se tornarem públicas, Moraes teria trocado seu número de celular.

Outro ponto do caso envolve a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Ela negou ter recebido mensagens enviadas por Vorcaro no dia da primeira prisão do empresário, contrariando uma versão divulgada anteriormente por Alexandre de Moraes.

Segundo a investigação, a Polícia Federal recuperou sete capturas de tela enviadas pelo banqueiro em 17 de novembro de 2025. As mensagens teriam sido escritas no bloco de notas do celular e encaminhadas como visualização única. Os arquivos estariam vinculados a pastas que mencionam contatos identificados como “Vivi Moraes”, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Irajá Abreu. Todos os citados negaram ter recebido as mensagens.

Peritos destacaram, entretanto, que a forma como os arquivos são organizados após a extração de dados não permite concluir automaticamente quem seriam os destinatários das imagens. A defesa de Viviane Barci de Moraes solicitou apuração sobre possíveis vazamentos das informações e contestou as associações feitas durante a investigação.

O caso envolvendo o Banco Master tem provocado forte repercussão política e institucional. Em análise publicada pela jornalista Eliane Cantanhêde, o escândalo atingiu o centro da política nacional e gerou tensão entre instituições como o STF, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, embora, até o momento, não tenha provocado impactos diretos na reputação do sistema bancário.

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