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A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, provocou forte repercussão política e institucional nesta quarta-feira após a Polícia Federal revelar uma série de suspeitas de crimes envolvendo corrupção, obstrução de Justiça, monitoramento ilegal e violência contra adversários.

A nova ordem de prisão foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, com base em mensagens encontradas no celular do banqueiro. Segundo os investigadores, Vorcaro teria comandado uma estrutura paralela conhecida como “A Turma”, descrita pela PF como uma espécie de milícia privada utilizada para proteger interesses do banco e pressionar adversários.

Além do banqueiro, também foram presos o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado e considerado braço-direito de Vorcaro; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como líder operacional da estrutura clandestina; e Marilson Roseno da Silva, suspeito de participar de ações de vigilância e intimidação.

De acordo com a investigação, o grupo realizava monitoramento de jornalistas, autoridades, concorrentes e ex-funcionários, além de atuar para obstruir investigações. Mensagens apreendidas indicam que Vorcaro teria sugerido forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo e da rádio CBN, com o objetivo de intimidá-lo. Em uma conversa, o banqueiro menciona a ideia de “quebrar os dentes” do jornalista durante uma falsa abordagem criminosa.

Horas após a prisão, Mourão — conhecido como “Sicário” — tentou suicídio em uma cela na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte. Ele chegou a ser reanimado e levado a um hospital da cidade, mas teve morte cerebral confirmada no final da noite.

A repercussão do caso levou a Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro a divulgarem nota conjunta repudiando o suposto plano de intimidação contra o jornalista. As entidades classificaram as acusações como um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito à informação.

Citações envolvendo ministros do STF

Outras mensagens interceptadas pela PF indicam que Vorcaro afirmou ter se encontrado com o ministro do STF Alexandre de Moraes em abril de 2025. Em uma mensagem enviada à esposa, Martha Graeff, o banqueiro escreveu que iria encontrar o magistrado “perto de casa”.

Ainda segundo a investigação, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, manteve contrato de aproximadamente R$ 129 milhões com o Banco Master. Até o momento, Moraes não se manifestou publicamente sobre a menção ao seu nome nas mensagens.

Relações com imprensa e autoridades

A Polícia Federal também investiga possíveis pagamentos feitos por Vorcaro ao site Diário do Centro do Mundo (DCM), que teriam como objetivo evitar notícias negativas e promover publicações favoráveis ao banco. O portal nega ter recebido recursos do banqueiro.

Outro ponto da investigação envolve o jornalista Diego Escosteguy, responsável pelo site O Bastidor. Segundo a PF, houve negociações de valores que teriam sido destinados à publicação de conteúdos de interesse do banqueiro. Escosteguy afirma que os pagamentos se referiam a contratos de publicidade, prática comum no mercado.

As investigações também apontam possíveis vínculos do banqueiro com autoridades do Banco Central do Brasil. De acordo com a PF, Vorcaro mantinha contato frequente com o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio de Souza e com o ex-chefe de departamento Bellini Santana, que teriam fornecido orientações estratégicas sobre processos envolvendo o banco em troca de pagamentos mensais.

Conexões políticas

Mensagens também mencionam proximidade com lideranças políticas. Em uma delas, Vorcaro descreve o senador Ciro Nogueira como “um dos meus grandes amigos de vida”. Segundo a PF, Nogueira e Antonio Rueda teriam utilizado helicópteros do banqueiro para participar de um evento esportivo em São Paulo.

O caso também ganhou repercussão no debate público após comentário da jornalista Julia Duailibi, que afirmou que “o que Dias Toffoli parecia se esforçar para manter longe da luz do dia foi escancarado por André Mendonça em poucas semanas”.

As investigações seguem em andamento e podem levar a novos desdobramentos envolvendo autoridades, empresários e integrantes do sistema financeiro.

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