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O avanço das investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master acendeu um sinal de alerta no meio político e mobilizou a cúpula do Congresso Nacional. Temendo o potencial de desgaste institucional, lideranças articulam para evitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), defendida pela oposição bolsonarista, que pretende investigar o banco e suas conexões com autoridades.

Nos bastidores, a estratégia para conter a CPI incluiria um acordo político: a derrubada, em março, do veto do presidente Luiz Inacio Lula da Silva ao projeto de lei da dosimetria, que reduz penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado em 2022, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação revela o temor de que as apurações atinjam diferentes espectros partidários.

Mesmo no Palácio do Planalto, interlocutores já identificaram que o escândalo envolvendo o Master pode produzir efeitos negativos para o governo, ao reforçar no eleitorado a percepção de corrupção generalizada. Lula, que vinha adotando discurso crítico em relação a banqueiros, foi aconselhado a reduzir a exposição sobre o tema.

Segundo análise da jornalista Malu Gaspar, o alvoroço no meio político também está relacionado à atuação do novo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Andre Mendonca. A avaliação é de que ele tem fortalecido as investigações conduzidas pela Policia Federal, o que pode dar novo fôlego à CPMI do INSS, já vista como foco de desgaste para o governo, além de fragilizar integrantes do Centrão, especialmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, era esperado para depor à CPMI, mas não comparecerá, amparado por liminar concedida por Mendonça. O ministro convocou ainda uma reunião com delegados da Polícia Federal responsáveis pelo caso para discutir o material já reunido e os próximos passos da investigação. De acordo com investigadores, ainda falta a perícia em cerca de 100 aparelhos celulares apreendidos.

Na semana passada, Mendonça liberou à Polícia Federal o acesso integral aos documentos e provas do processo, revertendo restrições impostas anteriormente pelo ministro Dias Toffoli, então relator da ação.

Paralelamente, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou o arquivamento de relatório da Polícia Federal que apontava possíveis conexões entre Vorcaro e Toffoli. Mesmo após a relatoria ter sido transferida a Mendonça, Toffoli poderia ser considerado impedido de atuar nos processos relacionados ao banco. Com a decisão de Fachin, contudo, o ministro permanece apto a votar normalmente nos julgamentos envolvendo o caso Master.

O desfecho das investigações e seus reflexos no cenário político seguem indefinidos, enquanto o Congresso tenta conter danos e evitar que a crise avance sobre o ambiente institucional.

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