Foto: Marri Nogueira/Agência Senado (CC BY 2.0). Imagem de arquivo.
A Bahia aparece em quarto lugar entre os estados com mais denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho em 2026, com 94 registros no Ministério Público do Trabalho (MPT), segundo levantamento publicado pelo jornal A Tarde nesta terça-feira (27) com base nos dados do órgão. O estado fica atrás apenas de São Paulo (363), Minas Gerais (217) e Rio de Janeiro (171).
Em todo o país, o MPT contabilizava 2.009 denúncias até as 17h da segunda-feira (26). Somente em outubro foram 1.190 relatos, alta de 115,6% em relação a setembro, quando houve 552. O mês da eleição concentra cerca de 59% de todas as queixas do ano.
O volume de 2026 supera com folga o da eleição presidencial anterior. Entre janeiro e setembro, o MPT recebeu mais de 800 denúncias, contra 85 no mesmo período de 2022, conforme dados do órgão reproduzidos por BP Money e A Tarde. Na Bahia, o número saltou de 32 casos no início de outubro para 94 depois do segundo turno.
Ações do MPT na Bahia
Na véspera do segundo turno, o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA) concedeu decisões de urgência em ações do MPT. A rede Total Atacado, com unidades em Salvador e Lauro de Freitas, foi obrigada a organizar e divulgar escala de revezamento para que empregados pudessem votar, após denúncia de que trabalhadores não haviam sido liberados no primeiro turno. A multa fixada foi de R$ 50 mil por dia, por obrigação descumprida e por estabelecimento.
A Rede Mix, de supermercados, teve suspenso o uso de camisas com o número 22 até o fim da votação. A empresa alega que o numeral se refere ao aniversário de 22 anos da rede; o MPT, que já havia recomendado a revisão da campanha, considerou a prática passível de interpretação política. Também houve decisões envolvendo a Câmara Municipal de Feira de Santana e a Prefeitura de Jacobina, por indícios de pressão sobre servidores.
Como denunciar
O assédio eleitoral ocorre quando empregadores, chefes ou colegas ameaçam demissão por escolha política, prometem benefícios em troca de votos, pressionam para a participação em atos de campanha ou tentam descobrir o voto do trabalhador. Mesmo após a eleição, as denúncias seguem em apuração e podem resultar em recomendações, termos de ajuste de conduta e ações civis públicas com pedido de indenização por dano moral coletivo.
As denúncias podem ser feitas no site do MPT (mpt.mp.br), na área dedicada ao assédio eleitoral, com indicação de local, data, pessoas envolvidas e descrição da conduta. É possível anexar mensagens, e-mails e gravações, e a identidade do denunciante é preservada. Casos individuais também podem ser levados ao sindicato da categoria ou ao Ministério do Trabalho e Emprego, pelo telefone 158.


