Dólar fecha a R$ 5,40 e Bolsa cai 13,88% após reeleição de Lula; BC pede cautela

Foto: Banco Central do Brasil/Flickr (CC BY 2.0). Imagem de arquivo.

O mercado financeiro brasileiro teve na segunda-feira (26) o primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25) contra Flávio Bolsonaro (PL), e a reação foi de forte aversão ao risco. O dólar comercial fechou em alta de 8,21%, cotado a R$ 5,403, segundo InfoMoney e Money Times. A CNN Brasil registrou variação de 8,36%, a R$ 5,406, e descreveu o movimento como a maior valorização diária da moeda frente ao real em mais de duas décadas.

Nos primeiros minutos de negociação, a moeda americana chegou a subir mais de 12% e bateu R$ 5,60. Na sexta-feira (23), o dólar havia encerrado a R$ 4,989, em meio à aposta de parte dos investidores em uma vitória do candidato do PL.

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Circuit breaker e juros em disparada

O Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, a maior perda percentual desde março de 2020. Logo na abertura, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações por 30 minutos quando o índice recua 10%. Foi a primeira vez que o dispositivo foi usado desde o início da pandemia de covid-19. Setores ligados ao consumo interno e ao mercado imobiliário lideraram as perdas.

Os juros futuros também avançaram com força. O contrato de DI para janeiro de 2028 encerrou perto de 14,9%, e o vencimento para janeiro de 2031 passou de 15%, com altas superiores a dois pontos percentuais em um único dia, de acordo com CNN Brasil e InfoMoney.

Banco Central vê cenário em aberto

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que é muito cedo para afirmar algum impacto da disparada do dólar sobre as contas externas. Segundo ele, é preciso esperar mais tempo para ver qual tende a ser a reação mais definitiva do mercado. Rocha avaliou que parte da depreciação pode ser devolvida e outra parte pode se tornar permanente, conforme reportagem da Folhapress reproduzida por Bahia Notícias, O Tempo e Jornal do Comércio.

Entre analistas, a leitura predominante foi de descompasso entre as expectativas do mercado e o resultado das urnas. A estrategista Rebecca Nossig, da Nomad, disse que investidores buscaram o dólar como proteção imediata. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, apontou a trajetória da dívida pública como principal receio e lembrou que Lula não terá maioria própria no Congresso. O Morgan Stanley projeta a moeda a R$ 6 caso o governo não sinalize ajuste nas contas públicas nas próximas semanas, segundo o Money Times.

Na manhã desta terça-feira (27), o dólar futuro operava perto de R$ 5,40, com oscilações pequenas, e o Ibovespa futuro tentava recuperação, segundo InfoMoney e DCI. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem coletiva prevista para esta terça sobre o Relatório de Estabilidade Financeira.

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