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CompartilheCompartilhe 0 Brasil concentra maior número de povos isolados do planeta e enfrenta aumento das ameaças por garimpo, narcotráfico e avanço do agronegócio Um alerta grave foi feito pela Survival International, organização global de defesa dos direitos indígenas: sem ações urgentes, metade dos povos isolados do mundo pode ser exterminada nos próximos dez anos. A estimativa, divulgada pela diretora de campanhas e pesquisa da entidade, Fiona Watson, acompanha o primeiro mapeamento global dessas comunidades, que revela um quadro alarmante — todas as 196 populações isoladas conhecidas enfrentam ameaças à sobrevivência. Esses grupos estão distribuídos por dez países, entre eles Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, Bolívia, Paraguai, Índia, Indonésia, Austrália e Papua Ocidental, mas é o Brasil que concentra o maior número: 124 povos isolados, em sua maioria localizados na Floresta Amazônica e no Vale do Javari, região que abriga a maior densidade de comunidades isoladas do planeta. Segundo o relatório, atividades como o garimpo ilegal, o narcotráfico e o avanço do agronegócio sobre áreas protegidas têm elevado drasticamente o risco de genocídio. A falta de fiscalização ambiental e de políticas efetivas de proteção agravam a vulnerabilidade dessas populações, que vivem sem contato regular com a sociedade envolvente e dependem integralmente dos recursos naturais ao redor. Fiona Watson alerta que, além da pressão econômica e territorial, os contatos forçados e a disseminação de doenças infecciosas — contra as quais esses povos não têm imunidade — continuam sendo as principais causas de morte. A situação torna-se ainda mais crítica com o avanço da exploração de minerais estratégicos, como lítio e níquel, essenciais para a transição energética global, mas que intensificam a corrida por territórios indígenas e florestais. “Estamos diante de uma corrida contra o tempo. Se governos e empresas não adotarem medidas imediatas de proteção e respeito às terras indígenas, o mundo assistirá ao desaparecimento de culturas únicas e de conhecimentos ancestrais inestimáveis”, afirmou Watson.
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