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CompartilheCompartilhe 0 Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprofunda o isolamento norte-americano no cenário internacional, líderes das principais potências emergentes se reúnem para fortalecer alianças estratégicas e propor uma nova ordem global. Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Narendra Modi (Índia) protagonizaram nesta segunda-feira, na cidade chinesa de Tianjin, um raro momento de união política e econômica entre três potências regionais historicamente competitivas. O encontro ocorreu durante a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), um bloco criado para promover cooperação em segurança, economia e política entre países do continente eurasiático. Em um discurso com críticas veladas aos Estados Unidos, Xi Jinping defendeu a construção de uma nova ordem internacional, voltada ao fortalecimento do chamado “Sul Global”, e condenou as tarifas impostas por Trump em meio à guerra comercial sino-americana. Putin e Modi aproveitaram a ocasião para assinar acordos de ampliação do comércio bilateral, reforçando os laços entre Moscou e Nova Délhi, dois países que também mantêm relações estratégicas com Pequim. Xi Jinping, por sua vez, propôs a criação de um banco de desenvolvimento da OCS e anunciou um pacote de US$ 280 milhões em ajuda econômica aos países-membros da organização, numa clara tentativa de ampliar a influência chinesa no bloco e rivalizar com instituições ocidentais como o FMI e o Banco Mundial. O gesto mais simbólico do avanço dessa nova aliança, no entanto, está reservado para quarta-feira, quando Beijing sediará uma parada militar de grandes proporções para celebrar os 80 anos da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. O evento será realizado na Praça Tiananmen, local marcado pelo massacre de manifestantes pró-democracia em 1989, e reunirá líderes de países historicamente hostis aos EUA, como Irã, Coreia do Norte e Rússia, além de dezenas de outras nações. A parada tem forte peso geopolítico e representa uma clara demonstração da capacidade da China de reunir em torno de si países que se opõem à hegemonia americana, num momento em que os EUA parecem cada vez mais isolados sob a liderança de Trump. Para Pequim, trata-se de uma afirmação de poder militar e diplomático, em uma era de transição onde os polos de influência global estão sendo rediscutidos. O cenário atual sinaliza uma nova etapa nas relações internacionais, marcada por reagrupamentos estratégicos, enquanto o Ocidente enfrenta crises internas e disputas comerciais que colocam em xeque sua liderança histórica. A aliança entre China, Rússia e Índia — ainda que frágil e cheia de contradições — surge como um contraponto à instabilidade promovida pela política externa de Trump, dando voz e protagonismo às potências emergentes do século XXI.
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