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Em uma cerimônia marcada por um clima polar em Washington, Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, cumprindo diversas promessas de campanha que desmantelam o legado do governo de Joe Biden. A posse, realizada na Capital One Arena, foi menos tradicional devido às baixas temperaturas, mas não impediu que o novo presidente tomasse decisões ousadas, anunciando uma série de decretos executivos que impactam profundamente as políticas internas e externas do país.

O discurso de Trump, inflamado e provocador, deixou claro seu compromisso em reverter várias ações tomadas pelo seu antecessor. O presidente assinou a retirada oficial dos Estados Unidos do Acordo de Paris, um tratado internacional que visa combater as mudanças climáticas, revogando a decisão de Biden de reintegrar o país no pacto. Além disso, Trump anunciou o fim do trabalho remoto para os servidores federais, a descontinuação das políticas de igualdade racial nas contratações governamentais e, talvez mais controverso, uma série de medidas contra imigrantes. Entre elas, a destituição dos juízes responsáveis pelos processos de imigração, a desmobilização de uma força-tarefa de reunificação de famílias separadas na fronteira com o México e a suspensão do aplicativo governamental utilizado por imigrantes para regularizar sua situação nos EUA.

Outro ponto central da sua posse foi o perdão concedido a 1.600 réus envolvidos na invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, um evento que marcou o final do mandato de seu antecessor. No palco, Trump fez um discurso onde pintou um quadro sombrio do país, culpando a administração de Biden por falhas internas e externas, atacando ainda a diversidade de gênero e a liberdade de expressão.

Entre as políticas anunciadas, destacaram-se o envio de tropas para a fronteira com o México, o incentivo ao setor de combustíveis fósseis e a imposição de tarifas a países estrangeiros. Também houve uma declaração forte contra a Organização Mundial da Saúde (OMS), com a retirada dos EUA de qualquer envolvimento ou financiamento à entidade, além da suspensão de negociações para um Acordo Pandêmico.

Em termos de relações internacionais, o novo presidente manteve seu posicionamento de aliança com líderes conservadores. O Brasil, por exemplo, parabenizou Trump pela vitória, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacando as boas relações entre os dois países. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, esteve presente na cerimônia, mas assistiu à posse de forma remota, após ser impedido de viajar para os EUA devido a questões diplomáticas.

A presença de magnatas da tecnologia, como Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Elon Musk, ao lado de políticos conservadores, refletiu o novo equilíbrio político-econômico que se desenha na Casa Branca, com figuras-chave do setor privado mais próximas do governo Trump.

A presidência de Trump parece seguir, como observado por analistas, sua linha de romper com tradições e políticas anteriores. O jornalista Jeff Greenfield resumiu: “Quem ficou surpreso com o tom do discurso de Trump não prestou atenção à última década. Para ele, regras existem para serem quebradas”.

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