Trabalho escravo em Nazaré: onze trabalhadores são resgatados de fazenda de piaçava no Recôncavo BaianoParte do grupo vivia há cerca de 40 anos na propriedade, em casas de taipa sem banheiro, água potável ou energia adequada; fiscalização do MTE reconheceu vínculos e garantiu seguro-desemprego

Um caso de trabalho escravo em Nazaré, no Recôncavo Baiano, resultou no resgate de onze trabalhadores de uma fazenda de piaçava. A ação foi conduzida por auditores-fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e divulgada nesta quarta-feira (9). Alguns dos resgatados atuavam na propriedade há cerca de 40 anos, e parte do grupo nasceu e constituiu família no local.

Os trabalhadores viviam em casas de taipa, feitas de barro e madeira, sem banheiros, água potável ou iluminação adequada. Telhados e paredes estavam deteriorados, e houve relato de um desabamento no passado. Como sanitário, o grupo usava um buraco improvisado, cercado por lonas e estacas, do lado de fora dos imóveis. A água para consumo era retirada de fontes e riachos.

Rotina de trabalho escravo em Nazaré: pagamento só por produção

De acordo com a fiscalização, os trabalhadores caminhavam por até uma hora entre a plantação e as residências e, em alguns momentos, carregavam a piaçava na cabeça. Não havia equipamentos de proteção individual nem treinamento de segurança, e os resgatados relataram cortes frequentes causados por facões e pela própria fibra.

Viajando de Novo

O pagamento era feito exclusivamente por produção, o que obrigava o grupo a trabalhar o máximo possível, inclusive em fins de semana e feriados, para garantir uma renda mínima. Toda a piaçava produzida tinha de ser entregue obrigatoriamente ao empregador. Nenhum dos onze tinha registro formal, ficando sem férias, 13º salário, FGTS ou exames ocupacionais.

Após a operação, os vínculos de emprego foram reconhecidos e registrados no eSocial desde as datas de admissão, com recolhimento do FGTS e das contribuições previdenciárias. Os trabalhadores terão acesso ao seguro-desemprego específico para resgatados de condição análoga à escravidão. O empregador será autuado, inclusive pela submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, na internet.

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