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A adoção da tarifa zero nos ônibus de 706 cidades brasileiras em 2026 custaria cerca de R$ 78 bilhões, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero. O valor representa um aumento de aproximadamente 20% em relação ao custo atual do sistema, estimado em R$ 65 bilhões. A projeção considera apenas o transporte por ônibus e deixa de fora metrôs e trens, que acrescentariam outros R$ 15 bilhões anuais.

Coordenado pelo Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), o estudo defende que a principal fonte de financiamento para o novo modelo seria uma reformulação do vale-transporte, dando origem à chamada Contribuição para a Disponibilização do Transporte Público (CTP). Segundo os pesquisadores, a nova contribuição poderia arrecadar cerca de R$ 80 bilhões, valor suficiente para bancar integralmente a gratuidade no sistema de ônibus.


Debates e críticas ao modelo

Críticos da proposta alertam para possíveis dificuldades de implementação, especialmente no que diz respeito ao risco de repasse da contribuição aos salários, o que poderia gerar custos indiretos aos trabalhadores. Também há preocupações quanto à formalização do emprego, já que mudanças no vale-transporte poderiam impactar incentivos à contratação com carteira assinada. Outro ponto levantado é a falta de transparência nos custos das empresas de transporte, vista como obstáculo para a adoção de modelos de financiamento mais robustos.


Argumentos a favor da tarifa zero

Defensores do projeto afirmam que a tarifa zero pode gerar ganhos sociais, econômicos e ambientais. A gratuidade, argumentam, ampliaria o acesso ao transporte público, aumentaria o número de deslocamentos — especialmente entre trabalhadores de baixa renda — e poderia reduzir desigualdades urbanas. Além disso, a medida tem potencial para incentivar a redução do uso de automóveis, contribuindo para melhorias na mobilidade, na qualidade do ar e nas emissões de gases de efeito estufa.

Com o estudo, o debate sobre o financiamento do transporte público deve ganhar força no Congresso em 2025, enquanto governos locais e pesquisadores discutem caminhos para tornar o modelo sustentável e transparente.

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