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O terceiro dia da Cúpula do Clima da ONU (COP30), em Belém, foi marcado por protestos, reforço na segurança e anúncios bilionários para o financiamento de projetos sustentáveis no Brasil. Na manhã desta quarta-feira (13), o entorno do Parque da Cidade, onde ocorre o evento, teve policiamento reforçado após uma noite de tensão, quando manifestantes tentaram invadir a Zona Azul, área restrita a delegações oficiais, chefes de Estado e imprensa credenciada.

O grupo, portando cassetetes e faixas, enfrentou a segurança e deixou dois agentes feridos. A confusão começou em uma área sob responsabilidade do governo estadual, passou por trecho administrado pelo governo federal e terminou em território sob gestão da ONU, o que gerou troca de acusações entre os poderes e as Nações Unidas sobre a responsabilidade pela falha de segurança. As circunstâncias estão sendo investigadas.

Mesmo não sendo o principal responsável pela invasão, o episódio provocou incômodo no Planalto. Interlocutores relataram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou irritação com o incidente, preocupado com a repercussão internacional e a imagem do país como anfitrião da conferência. O governo ainda avalia como se posicionar oficialmente, para evitar que novos episódios prejudiquem a realização da cúpula.

Mobilização simbólica e defesa da Amazônia

Em contraste com o tumulto, a manhã desta quarta-feira foi marcada por um ato pacífico: mais de 200 embarcações participaram de uma barqueata na Baía do Guajará, em Belém, durante a Cúpula dos Povos — evento paralelo à COP30 que reúne cerca de 5 mil pessoas de 60 países. O protesto, em defesa da Amazônia e da justiça climática, contou com ribeirinhos, indígenas e quilombolas, que pediram respeito aos territórios tradicionais e políticas de desenvolvimento sustentável, criticando o avanço do agronegócio e de grandes obras na região.

Acordos bilionários e boas notícias econômicas

Apesar das tensões, a COP30 teve avanços significativos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou o fechamento de acordos que somam R$ 20,86 bilhões com bancos de desenvolvimento da Europa, Japão e América Latina. Os recursos financiarão projetos nas áreas de energia renovável, mobilidade urbana, crédito para pequenas empresas e ações de combate às mudanças climáticas.

O maior aporte veio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que assinou um pacote de US$ 2,25 bilhões (R$ 11,93 bilhões) distribuídos em três frentes: R$ 2,67 bilhões para o Fundo Clima, R$ 5,34 bilhões para projetos ambientais e R$ 4,01 bilhões voltados à geração de empregos, produtividade e redução das desigualdades.

Desafios globais e ausência dos EUA

Um estudo do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que mais de 90 países não sabem quanto investem em mitigação e adaptação às mudanças climáticas, e 70% não possuem mecanismos adequados para monitorar o cumprimento das metas ambientais. No Brasil, 17 das 24 capitais analisadas não têm planos de recuperação estruturados para desastres climáticos.

A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou ainda um relatório alertando que a demanda global por petróleo deve atingir 113 milhões de barris por dia até 2050, um aumento de 13% em relação a 2024, o que pode elevar a temperatura média global acima das metas do Acordo de Paris.

O governo brasileiro pretende usar a COP30 para discutir os critérios da transição energética definidos na COP28, em Dubai, mas enfrenta obstáculos, como a ausência dos Estados Unidos, maiores produtores de petróleo do mundo, e a resistência de países africanos, que temem perdas econômicas e sociais com a redução da produção.

A ausência da delegação americana e do próprio presidente Donald Trump, aliada ao boicote de executivos de grandes empresas dos EUA, reforçou o isolamento norte-americano na conferência. Embora evitem se associar publicamente ao negacionismo climático, muitos líderes empresariais têm minimizado a importância do tema, alegando custos e incertezas na transição energética.

Belém no centro do mundo

Em homenagem à COP30, o IBGE divulgou nas redes sociais uma nova versão do mapa-múndi, com Belém e o estado do Pará no centro — um gesto simbólico que reforça o protagonismo da Amazônia na agenda ambiental global.

A COP30 segue até o fim da semana, com a expectativa de novos anúncios sobre financiamento climático e compromissos de descarbonização, apesar das tensões políticas e dos desafios logísticos que marcaram seus primeiros dias.

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