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CompartilheCompartilhe 0 Cantora estava internada desde 2024 com problemas cardíacos; overdose de opioides foi confirmada por seu irmão, Danilo Caymmi A cantora Nana Caymmi, uma das mais poderosas e emocionantes vozes da música brasileira, morreu aos 84 anos nesta sexta-feira. Ela estava internada desde agosto de 2024 na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, após ser diagnosticada com arritmia cardíaca. Segundo informou o irmão, Danilo Caymmi, ao jornal O Globo, Nana sofreu nesta semana uma overdose de opioides. Nascida Dinahir Tostes Caymmi, em 29 de abril de 1941, no Rio de Janeiro, era filha do compositor Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris, e foi a primeira dos três filhos do casal, seguidos por Dori Caymmi e Danilo Caymmi, todos músicos talentosos. Nana estreou na música ainda jovem, participando de um disco do pai em 1960 com a canção “Acalanto”, feita por Dorival em sua homenagem. No mesmo ano, lançou seu primeiro compacto solo. Apesar de ter se afastado da carreira por alguns anos após se casar e mudar-se para a Venezuela, Nana voltou com força ao cenário musical brasileiro ao vencer, em 1966, o I Festival Internacional da Canção Popular, da TV Globo, com a interpretação de “Saveiros”, de Dori Caymmi e Nelson Motta. Em sua trajetória, teve um breve relacionamento com Gilberto Gil, com quem dividiu momentos musicais importantes, inclusive acompanhada pelos Mutantes. O álbum “Nana Caymmi”, de 1975, foi um marco em sua carreira e consolidou sua imagem como intérprete densa e sofisticada, aproximando-se do Clube da Esquina, movimento que marcou a MPB nos anos 1970. Embora tenha se afastado dos palcos após uma cirurgia para retirada de um câncer no estômago em 2016, continuou gravando: lançou discos como Nana Caymmi canta Tito Madi e Nana, Tom, Vinícius, ambos indicados ao Grammy Latino. Do samba-canção ao bolero, da obra de Dorival Caymmi às trilhas de novelas da TV Globo, Nana eternizou seu timbre grave e carregado de emoção em canções como “Resposta ao Tempo”, tema da minissérie Hilda Furacão, e sucessos das novelas Roque Santeiro e Tempo de Amar, entre muitas outras. Caetano Veloso, em nota, escreveu:“Não me cansava de pedir a ela que cantasse para eu ouvir. Às vezes com Gil ao violão, às vezes à capela. Eu pensava que ela era a mais profunda intérprete que se podia imaginar. Isso só fez crescer com o passar dos anos, das décadas. […] Ela foi, era, é, será um alumbramento do ato de cantar.” Nana Caymmi deixa um legado raro na música brasileira: o da intérprete que cantava com a alma, sempre entre a dor e a beleza.
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