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Sem acenos ao Congresso e sem atender às pressões de movimentos sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta quinta-feira a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada no Supremo Tribunal Federal (STF) após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Messias, favorito desde o início, foi escolhido por Lula com base em um critério que, no terceiro mandato do petista, tem superado todos os outros: lealdade pessoal.

Movimentos sociais pressionavam pela indicação de uma mulher — preferencialmente negra — diante da sub-representação feminina na Corte, hoje composta por apenas uma ministra, Cármen Lúcia. Mas a resistência mais forte vinha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia o nome de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Segundo relatos, Alcolumbre, que estava no Amapá, demonstrou irritação ao afirmar que não foi consultado e declarou-se rompido com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), antes de desligar o celular.

A crise teve desdobramentos rápidos. Em resposta à derrota política, Alcolumbre anunciou que colocará em votação, já na próxima semana, um projeto que regulamenta a aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Caso aprovado, o texto pode gerar impacto bilionário nas contas públicas, estimado entre R$ 20 bilhões e R$ 200 bilhões nos próximos anos — um sinal claro de pressão sobre o governo.

A insatisfação com a escolha de Messias não se restringe ao Senado, responsável por sabatinar e aprovar o indicado. No próprio STF, ministros influentes como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino — este último também indicado por Lula — atuavam discretamente em prol de Pacheco. O único a demonstrar entusiasmo imediato foi André Mendonça, que, assim como Messias, é evangélico.

Aos 45 anos, pernambucano e servidor de carreira da Advocacia-Geral da União, Messias iniciou sua trajetória como procurador da Fazenda Nacional e passou pelo Banco Central e pelo BNDES. Tornou-se conhecido em 2016, quando era subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência no governo Dilma Rousseff. Na ocasião, a então presidente mencionou o famoso “Bessias” ao comentar o envio de um termo de posse de Lula como ministro da Casa Civil — nomeação posteriormente barrada pelo STF.

Evangélico e de perfil combativo, Messias se aproximou de Lula durante a transição de governo e assumiu a AGU logo no início do mandato. Sua presença no STF atende a dois objetivos do presidente: reforçar uma relação de confiança dentro da Corte e, ao mesmo tempo, abrir canais com o eleitorado evangélico, majoritariamente alinhado ao bolsonarismo. Para Lula, ter um ministro “terrivelmente evangélico” na Suprema Corte pode ser tanto um movimento jurídico quanto político.

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