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A indústria de jogos eletrônicos é um campo onde as mulheres enfrentam desafios singulares. Karyna Crash, designer de jogos e criadora de conteúdo gamer, compartilha sua jornada marcada por obstáculos e triunfos, destacando a resiliência e determinação das mulheres neste cenário.

Perguntamos a Karyna, quais as dificuldades de ser mulher dentro da industria dos games:

Eu normalmente não falo muito sobre essa questão das dificuldades em ser mulher na área de games, pois tento ser bem positiva em tudo então tento falar mais de como as mulheres estão crescendo no mercado hoje em dia na área e no consumo de games, temos que driblar esse assunto e mostrar que somos mais fortes juntas e que a cada dia mais nós mulheres dominamos muito bem o assunto “GAME”, é delicado o assunto pois todos sabemos que a maioria quando fala de games parece ser só especialidade dos HOMENS nessa área, mas não é bem assim, MULHERES estão entrando muito nessa área. Grande exemplo que eu amo falar sobre é da “Carol Shaw” a primeira desenvolvedora de jogos:

Ela fez River Raid, muitas pessoas não conhecem ela, mas jogaram o jogo, pois é um clássico dos anos 70/80, desenvolvido em 1978 teve mais de um milhão de cópias vendidas, temos também a Yoko Shimoura que é super famosa por ser compositora de trilhas de jogos como Street Fighter ll, franquias de Mario e Luigi entre outros jogos, por conta disso temos que dar muito valor nesse meio e na força de vontade de cada mulher.

Nesse meio tão “preconceituoso”, mulheres conseguiram guiar seu caminho nessa área, e não podemos desistir na metade do caminho por conta de tais preconceitos, temos que manter o pé no chão, pois conseguimos. Tenho muito orgulho de ser mulher e estar nessa área, tanto como criadora de conteúdo voltada para jogos como game designer. Eu passei por diversos inconvenientes, eu digo que a vida é como um jogo, se não houver ao menos um obstáculo/boss para “derrotarmos “então esse jogo tá chashado (risos), pois precisamos disso para aprimorar nossas experiências. Então é “nunca baixar a cabeça para tais dificuldades e sim mostrar que somos capazes de tudo”. Gostaria de deixar registrado também que participei de uma game jam na Brasil Game Show em 2016, eram grupos de 3 e iam ser selecionado 10 grupos para participar eu e mais dois amigos se inscrevemos, fomos chamados ficamos muito feliz, quando chegamos lá só existia eu de mulher, eram 29 homens e 1 mulher no caso eu, é bem complicado, pois os jornalistas iam falar sobre isso como era lidar com isso, e tudo mais, por isso eu fal.

MULHERES gamers, desenvolvedoras LUTEM PELO SEU ESPAÇO E NÃO DESISTAM.

Qual seu lugar de destaque dentro da industria:

Profissionalmente sou designer de jogos e aplicativos e criadora de conteúdo gamer/geek e atualmente curso MBA – Gestão da Criatividade e inovação e influencer de games da Universidade Anhembi Morumbi. Costumo ir em eventos voltados para esse Universo que amo como BGS, CCXP, Big Festival entre outras, dou meu posicionamento sobre jogos e dicas de acessórios gamers e falo sobre meu dia a dia também.

@karyana_crash

Minha verdadeira paixão por trás dos jogos é o Crash Bandicoot e é dele que eu falo mais nas redes sociais. Eu havia iniciado live há um tempo, porém  tive que parar, pois não consegui consiliar trabalho + estudos + criação de vídeos (mas pretendo voltar em breve), então fiquei abastecendo somente o instagram sobre o Universo gamer e também amo saber a opinião das pessoas que acompanha meu trabalho, eu tento sempre ficar mais próxima, fazendo perguntas e tudo mais, às vezes faço umas dinâmicas para dar algo relacionado do Crash ou outros temas, o último que fiz foi o artbook do jogo Crash 4 Bandicoot it’s about time + o jogo e foi uma experiência maravilhosa, obtive bastante elogio sobre a mecânica que criei para as pessoas que acompanham o conteúdo e são essas coisas simples que me deixam feliz em saber que tem pessoas que gostam de estar vendo o que publico e me apoiam a não desistir, é bem legal a internet, pois encontramos pessoas que entendem muito nosso amor por tais coisas, como jogos, como colecionar action figure, funkos entre tantos objetos deste Universo sem ser julgados, sim há pessoas que irão criticar, mas temos que relevar e ficar com as que estão nos dando apoio diariamente.

Aonde pretende chegar com toda sua experiencia:

Meu objetivo é me tornar uma game designer reconhecida, criando jogos que as pessoas joguem com amor. Desde minha infância, sempre soube que queria seguir esse caminho, especialmente após meu contato com o jogo Crash Bandicoot em 1998. Quero ser uma influência positiva na comunidade gamer e ser reconhecida pelas empresas que admiro, como PlayStation, Xbox, Microsoft (que agora detém os direitos do Crash), Activision Blizzard e Naughty Dog. Persistirei em busca desse sonho, pois acredito que os sonhos nos impulsionam e jamais desistirei.

Qual foi a trajetoria da design do inicio até hoje:

Realmente não foi algo fácil, tudo começou em 2006 na 6ª série quando descobri que existia o curso de Designer de Games, foi aí que eu decidi o que queria fazer da minha vida, mas eu não sabia como chegaria até lá, pensei que só aprimorar meus traços de desenhos ia ser o suficiente (risos), mas não foi só isso tive que estudar muito, e após 3 longos anos de ENEM, sim eu cursei o ENEM e no ano de 2014 consegui minha bolsa de 100% no curso de Bacharel em Design de Games, pela Universidade Anhembi Morumbi (ela foi a primeira Universidade Brasileira a ter o curso de games), antes de entrar na Universidade Anhembi eu estava cursando técnico Jogos Digitais na Faculdade IBTA. Nesse período eu trabalhava como auxiliar administrativa e pagava um curso de computação gráfica pela escola SAGA de games, arte e animação (esse foi o único curso que consegui pagar com o salário que recebia, fazer Faculdade era impossível pelo preço na época), eu queria me especializar ao máximo antes de fazer o Bacharel, no ano de 2015 graças ao bom Deus iniciei o curso que eu tanto sonhei, Designer de Games na Universidade Anhembi Morumbi.

Depois de muita luta vocês não imaginam o quanto chorei por essa conquista, o bacharel foi de 2015 à 2018, 4 anos de muitos acontecimentos, eu tive que sair do meu emprego, pois o horário não batia com o horário do curso que eu conquistei, fiquei sem trabalho de 2015 a 2017, mas tentava fazer freelancers para não ficar sem dinheiro, pois não gostava que meus pais ficassem me bancando, eu amo demais meus pais e agradeço muito por tudo que eles fazem por mim, mas eu tenho consciência de que eu tenho que arcar com minhas responsabilidades, em 2017 consegui um estágio que ainda não era em games, trabalhava como designer gráfica em um agência, mas eu tentava sempre usar a gamificação de alguma forma, para a empresa ver esse meu talento, eu estudava das 07:30 até 12:45 foi um período exaustivo. Até que chegou o dia do TCC, e foi um sucesso, fomos uma das maiores notas e parece que tudo valeu a pena, “contando aqui me deu até vontade de chorar”, de verdade, pois só quem passou por diversas coisas vai entender, muitas pessoas pensam que é fácil sabe que a gente por onde está hoje, conseguiu fácil as coisas… e não não é assim! Eu tentei resumir e pegar pedaços da história, pois foi muito mais além.:

Para conseguir essa bolsa eu tive até que conversar com o Ministro da Educação, pois por conta de 120 reais eu ia perder a bolsa, pois eu estava trabalhando, sendo que eu tinha q sair do trabalho assim que conseguisse a bolsa. Foram muitas coisas…. Mas graças a Deus passou e foi o que eu disse no início, sem progresso não subimos de nível.

Então em 2019 fui efetivada pela empresa que estava, mas infelizmente eu tive burnout em 2021 e tive que pedir demissão tive que fazer tratamento até melhorar, depois de uns 3 ou 4 meses que pedi a demissão, uma ligação de uma empresa que eu sempre amei me ligou, perguntou se teria interesse em participar de uma entrevista de emprego na área gráfica de parques, eu super aceitei, pois é o que costumava fazer “cenários” em games então foi ótimo ainda mais pelo fato de ser uma empresa que eu já sonhava ( Mauricio de Sousa Produções ), e eu consegui a vaga na casa da Mônica! Realmente eu chorei com as pessoas que fizeram a entrevista comigo, pois foi uma grande conquista até elas choraram (mais um sonho se realizando), até que surgiu uma vaga para games dentro dessa mesma empresa e falaram se eu gostaria de fazer parte desse outro time, conversei com minha ex gestora da área de parques (que a admiro muito) e ela me apoiou e hoje estou também com mais um ótimo gestor que me apoia muito nos meus sonhos e objetivos e estou amando fazer parte disso, estou quase 3 anos e só tenho a agradecer.

Atualmente consigo conciliar o trabalho + MBA + criação de conteúdo. Uma das coisas que eu digo jamais desista dos seus sonhos, eu só tenho a agradecer e agradecer a cada dia mais, pelas conquistas.

E no final, Karyna expressa profunda gratidão aos seus pais e irmã por seu apoio inabalável em sua jornada como gamer. Desde os primeiros dias jogando no Super Nintendo até a descoberta do PlayStation 1 e sua paixão pelo Crash Bandicoot, seus pais e irmã sempre a incentivaram a seguir suas paixões. Ela destaca o papel fundamental de sua mãe em descobrir oportunidades educacionais, enquanto sua irmã a encorajou a entrar no mundo das redes sociais. Além disso, Karyna reconhece o impacto transformador que o Crash Bandicoot teve em sua vida, agradecendo aos criadores, Andy Gavin e Jason Rubin, por moldarem sua jornada e inspirá-la.

Sonho é o que nos move! Então não pare de sonhar e vá em busca de realizá-los 🙂

 

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