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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vive seu momento mais delicado desde que assumiu o comando da Casa. Após sucessivas crises com partidos da base, da oposição e do Centrão, Motta agora enfrenta desgaste também com seu principal padrinho político e antecessor, Arthur Lira (PP-AL). A aliados, Lira afirmou que o sucessor “está perdido”, que foi “humilhado” pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) e que não recebeu solidariedade durante a sessão que avaliou a cassação do parlamentar.

O episódio citado por Lira diz respeito à tumultuada votação envolvendo Glauber, acusado de agredir um militante do MBL no Plenário. Na ocasião, o deputado do PSOL chegou a ocupar a cadeira de Motta, numa tentativa de obstruir a sessão. Retirado à força pela Polícia Legislativa, Glauber acabou punido com suspensão de seis meses, resultado visto por parte dos parlamentares como leniente.

Segundo interlocutores, Lira criticou sobretudo a decisão de Motta de pautar, sem acordo prévio, as representações contra Glauber e Carla Zambelli (PL-SP), o que teria ampliado o atrito com diferentes blocos partidários.


Presidente acuado e desgaste acumulado

A avaliação entre aliados é de que Motta se encontra acuado, após um ano marcado por crises, recuos e falta de articulação consistente. O próprio presidente da Câmara confidenciou a parlamentares estar “cansado de ser refém das polêmicas” que se acumulam tanto da esquerda quanto da direita. Ele afirmou ainda que pretende “zerar a pauta” de temas ruidosos, numa tentativa de reduzir a temperatura política e escapar dos holofotes.

Publicamente, porém, Motta tenta demonstrar autonomia e firmeza. Em resposta às críticas de Lira, ele afirmou em nota que a presidência da Casa “não se move por conveniências individuais, nem deve servir como ferramenta de revanchismo”, num recado indireto ao ex-aliado.


Consequências legislativas: PL da Dosimetria pode favorecer criminosos

A instabilidade no comando da Câmara se soma ao desgaste provocado pela aprovação do PL da Dosimetria, projeto que, na tentativa de reduzir possíveis penas para Jair Bolsonaro e demais investigados pela trama golpista, acabou flexibilizando regras de progressão penal que haviam sido endurecidas pelo próprio Congresso no PL Antifacção.

Como revelou o jornalista Marcelo Godoy, a mudança abre brechas que podem beneficiar líderes de facções criminosas, estupradores e pedófilos, gerando preocupação entre especialistas em segurança pública e reacendendo críticas à condução política de Motta.

O conjunto dos episódios reforça a percepção, dentro e fora da Câmara, de que o presidente enfrenta crescente isolamento político, desafios de gestão e dificuldades para manter coesão em um Parlamento já tensionado por disputas internas e pressões externas.

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