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CompartilheCompartilhe 0 Estudo alerta para queda drástica no financiamento da saúde global, com risco de 14 milhões de mortes em países pobres O financiamento internacional destinado a programas de saúde em países de baixa e média renda deve cair para US$ 38,4 bilhões em 2025, o menor patamar desde 2009, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (24) pela revista científica The Lancet. O valor representa uma queda de 22% em relação ao orçamento de 2024 (US$ 49,6 bilhões) e uma retração alarmante de 52% em comparação com o pico de US$ 80,3 bilhões registrado em 2021, durante a pandemia de covid-19. A redução está sendo atribuída, principalmente, a cortes por parte de grandes doadores internacionais, com destaque para os Estados Unidos, que diminuíram sua contribuição em 67% apenas neste ano. A retração da ajuda internacional ocorre em um momento em que diversas regiões ainda enfrentam crises sanitárias agravadas pela desigualdade, pelo impacto das mudanças climáticas e pela fragilidade dos sistemas de saúde. De acordo com os pesquisadores, a escassez de recursos pode ter consequências devastadoras: estima-se que mais de 14 milhões de mortes podem ocorrer até o fim da década entre populações vulneráveis, caso os investimentos não sejam retomados. Essas mortes incluem tanto causas evitáveis — como doenças infecciosas, desnutrição e problemas materno-infantis — quanto o agravamento de epidemias já controladas em muitas partes do mundo. O relatório publicado por The Lancet alerta que o corte de verbas ocorre em um momento crítico de reconstrução pós-pandemia e pode comprometer décadas de avanços na saúde global. Programas de vacinação, combate ao HIV, tuberculose e malária, além de iniciativas voltadas à saúde reprodutiva e à assistência materno-infantil, estão entre os mais ameaçados. “A retração dos recursos internacionais em saúde pública representa um risco direto à vida de milhões de pessoas. A desigualdade global está se aprofundando”, afirmam os autores do estudo. Especialistas defendem uma revisão urgente das prioridades dos países doadores e um esforço coordenado para garantir que os avanços conquistados nas últimas décadas não sejam completamente perdidos. Para muitos analistas, a queda no financiamento reflete não apenas crises econômicas, mas uma mudança no foco geopolítico e um esgotamento da solidariedade internacional. Com os recursos em queda, aumentam os apelos por novos modelos de cooperação e financiamento sustentável, que envolvam tanto países quanto o setor privado e organismos multilaterais. A continuidade da negligência, alertam os pesquisadores, não será apenas uma falha moral — mas uma tragédia anunciada.
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