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Após ameaçar a Europa com tarifas comerciais e até com o uso da força, os Estados Unidos avançam agora em uma proposta para obter soberania sobre áreas estratégicas da Groenlândia que abrigam bases militares americanas, em um modelo semelhante ao das bases britânicas instaladas no Chipre. A iniciativa integra negociações que, segundo o presidente Donald Trump, estão em andamento com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), embora os detalhes não tenham sido oficialmente esclarecidos.

O anúncio das conversas foi feito por Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. De acordo com autoridades ocidentais ouvidas sob reserva, o plano prevê a atualização do acordo militar firmado entre Washington e a Dinamarca em 1951, que atualmente garante amplo acesso das Forças Armadas dos Estados Unidos ao território groenlandês. A nova versão criaria “bolsões” de território sob controle soberano americano, ampliando a autonomia dos EUA sobre instalações consideradas estratégicas na ilha, em um ponto sensível do Ártico e de crescente importância geopolítica.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que negociações envolvendo segurança e investimentos são possíveis, mas reforçou que a soberania da Groenlândia não está em debate, sinalizando resistência a qualquer arranjo que implique perda de controle territorial dinamarquês.

No plano diplomático, Trump também enfrenta dificuldades para angariar apoio ao chamado “Conselho da Paz”, iniciativa criada com o objetivo de mediar conflitos globais e que, segundo o próprio presidente americano, poderia até substituir a Organização das Nações Unidas (ONU). Até o momento, o órgão conta com menos de 20 países signatários, em sua maioria monarquias do Oriente Médio, regimes autoritários e líderes com baixa aceitação internacional. Entre os países da Europa Ocidental, apenas a Hungria aderiu formalmente ao projeto, evidenciando o isolamento da proposta no continente.

Inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, o Conselho da Paz teve seu escopo ampliado e passou a se apresentar como uma organização internacional voltada à governança e à estabilidade em regiões de conflito. O estatuto do grupo prevê que Donald Trump presida o órgão por tempo indeterminado, o que também tem gerado críticas e desconfiança entre aliados tradicionais dos Estados Unidos.

Paralelamente a essas articulações, as Forças Armadas americanas iniciaram a transferência de cerca de 7 mil combatentes do Estado Islâmico, atualmente detidos em diferentes prisões no Nordeste da Síria, para unidades prisionais no Iraque. A decisão ocorre após o rápido colapso das Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas por curdos, o que elevou a preocupação de Washington com a segurança das prisões e campos de detenção que abrigam membros do grupo extremista.

A movimentação revela um cenário de reorganização da política externa e militar dos Estados Unidos, marcado por iniciativas unilaterais, tensões com aliados europeus e desafios persistentes no combate ao extremismo no Oriente Médio.

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