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A defesa de Filipe Martins adotou uma nova estratégia jurídica na tentativa de reverter a prisão do ex-assessor especial de relações internacionais do governo Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 21 anos de prisão por participação na trama golpista. Martins foi preso na última sexta-feira por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após denúncia de que teria descumprido a proibição de acesso a redes sociais ao visitar um perfil no LinkedIn.

Segundo os advogados, no entanto, o acesso à rede profissional não teria sido feito por Martins, mas pela própria equipe de defesa, que afirma ter utilizado as credenciais do réu para “coletar provas e informações” destinadas a sustentar argumentos em favor de sua inocência. A nova linha de defesa busca descaracterizar o suposto descumprimento das medidas cautelares impostas pelo STF, questionando a interpretação de uso indevido das redes sociais.

O episódio ocorre em meio a um momento particularmente delicado para o campo bolsonarista. A Polícia Federal determinou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reassuma o cargo de escrivão da corporação, função da qual estava licenciado desde que se elegeu deputado, em 2014. O retorno foi exigido após a cassação de seu mandato, no último dia 18, motivada por faltas reiteradas às sessões parlamentares.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro, onde passou a atuar politicamente junto a setores conservadores e a pressionar a Casa Branca por sanções contra o Brasil e contra autoridades brasileiras, com o objetivo de tentar anular processos judiciais que envolvem seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em reação à determinação da Polícia Federal, Eduardo afirmou que não se submeterá “aos caprichos dos bajuladores de tiranos”, em mais um ataque retórico às instituições brasileiras.

Os dois episódios evidenciam o agravamento das dificuldades jurídicas e políticas enfrentadas por aliados do ex-presidente, ao mesmo tempo em que reforçam o cerco institucional em torno de figuras centrais do bolsonarismo, tanto no Judiciário quanto nos órgãos de controle do Estado.

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