0

A crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o escândalo do Banco Master dá sinais de que não terá desfecho no curto prazo, ampliando o desgaste institucional e levantando questionamentos sobre a atuação de diferentes instâncias do poder público. Informações divulgadas por Andreza Matais e André Shalders apontam que o ministro Alexandre de Moraes esteve ao menos duas vezes na mansão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em Brasília.

Em uma dessas ocasiões, no primeiro semestre de 2025, Moraes teria conhecido, na residência de Vorcaro, o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O encontro ocorreu em um fim de semana, em ambiente reservado da casa, e contou com a presença de um assessor do ministro. À época, o Banco Master buscava apoio do BRB em meio a dificuldades financeiras, e o tema teria sido mencionado durante a conversa. Moraes nega irregularidades e afirma que sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, não atuou na tentativa de venda do banco ao BRB, operação posteriormente vetada pelo Banco Central, apesar de o escritório dela ter mantido um contrato de R$ 129 milhões com o Master.

Nos bastidores do STF, segundo o jornalista Fabio Graner, Alexandre de Moraes tem incentivado o ministro Dias Toffoli a permanecer como relator do caso envolvendo o Banco Master. A avaliação interna é que um eventual recuo de Toffoli poderia abrir um precedente considerado perigoso para a Corte, aumentando a sua vulnerabilidade institucional. A defesa pública da permanência do relator, no entanto, foi feita pelo decano do Supremo, Gilmar Mendes.

Já o presidente do STF, Edson Fachin, sinalizou em declaração recente que a tendência é que o inquérito que investiga o Banco Master não permaneça no Supremo. Fachin afirmou ter conversado com outros ministros diante da crise de imagem enfrentada pela Corte e avaliou que não haveria justificativa para a manutenção do caso no STF. A decisão final sobre a devolução da investigação à primeira instância, contudo, caberá a Dias Toffoli.

O desgaste não se restringe ao Judiciário. De acordo com informações de Álvaro Gribel, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tinha conhecimento dos problemas enfrentados pelo Banco Master, mas optou por não intervir. Em ao menos duas ocasiões, ao longo de 2024, Campos Neto teria atuado para evitar a liquidação da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

No âmbito do Executivo, o Palácio do Planalto informou que não tinha conhecimento do contrato firmado entre o escritório do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o Banco Master. Nos bastidores do governo, o contrato é apontado como um dos fatores que aceleraram o pedido de demissão do ministro, oficializado em 10 de janeiro. O Executivo avalia, entretanto, que não houve conflito de interesses, uma vez que Lewandowski teria transferido o controle do escritório aos filhos antes de assumir o cargo no ministério.

Nesta quinta (29), em Juazeiro, Jerônimo Rodrigues lança oficialmente o Carnaval 2026 do Interior da Bahia

Artigo anterior

Troca partidária de Caiado acirra disputa e evidencia fragmentação do campo conservador

Próximo artigo

Você pode gostar

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais sobre Notícias