Mais de 130 escolas de Salvador tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos por tiroteios ao longo de 2025. O dado faz parte da pesquisa “A Geografia da Exposição: disparos de arma de fogo, território e escolas afetadas em Salvador”, divulgada nesta quinta-feira (13).
O levantamento mostra ainda que quase 60% dos tiroteios registrados na capital baiana nos últimos anos ocorreram em dias letivos, o que amplia o impacto direto da violência armada sobre a rotina de estudantes, professores e famílias.
Rotina escolar sob risco
A interrupção das aulas por causa de disparos de arma de fogo não é um fenômeno novo na cidade. Levantamento anterior sobre o tema, com dados de julho de 2022 a agosto de 2024, já havia identificado que 76% das escolas públicas de Salvador registraram tiroteios no entorno no período analisado.
Na prática, cada dia de aula suspenso representa prejuízo pedagógico acumulado, sobretudo para estudantes de bairros periféricos, onde os confrontos são mais frequentes. Escolas precisam remanejar calendário, repor conteúdos e lidar com os efeitos emocionais da exposição à violência sobre crianças e adolescentes.
Especialistas em educação e segurança pública defendem que os dados sirvam de base para políticas articuladas entre as redes de ensino e os órgãos de segurança, com protocolos de proteção escolar, apoio psicossocial e monitoramento territorial dos episódios de violência armada.

