Festa da Boa Morte entra na reta final em Cachoeira e mobiliza o Recôncavo baianoCelebração conduzida por mulheres negras segue até segunda-feira (17) e encerra com a distribuição do tradicional caruru.

A Festa de Nossa Senhora da Boa Morte entra na reta final neste domingo (16) em Cachoeira, no Recôncavo baiano, reunindo fiéis, turistas e pesquisadores em torno de uma das mais antigas manifestações de religiosidade afro-brasileira do país. A programação foi aberta na quarta-feira (12) e segue até segunda-feira (17).

Organizada pela Irmandade da Boa Morte, a celebração é conduzida por mulheres negras, em sua maioria idosas, que integram a confraria fundada no século XIX. A festa combina cortejos, missas, procissões, refeições comunitárias e rodas de samba, articulando devoção católica e matrizes africanas em um mesmo calendário.

Encerramento com caruru e samba de roda

Neste domingo, a programação prevê distribuição de cozido e apresentações dos sambas de roda da Rua da Feira e Filhos do Caquende. O encerramento será na segunda-feira (17), às 18h, com distribuição do tradicional caruru e apresentação do Samba de Roda Filhos da Barragem.

Viajando de Novo

Ao longo dos dias, a cidade recebe visitantes de diferentes estados e países, o que movimenta a rede de hospedagem, o comércio e os serviços do município. O período costuma ser um dos de maior circulação de pessoas no calendário de Cachoeira.

A Festa da Boa Morte é reconhecida como Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010 e integra ações de salvaguarda acompanhadas pelo poder público estadual.

Além do caráter religioso, a celebração é apontada por pesquisadores como espaço de afirmação da liderança feminina negra e de transmissão de saberes entre gerações, mantendo vivos rituais, cantos e práticas alimentares que atravessam mais de dois séculos.

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