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Estrutura provisória de 11,2 km vai servir de base para a construção da maior ponte sobre o mar da América Latina; governo destaca ganhos ambientais, logísticos e de segurança para os trabalhadores

As obras da Ponte Salvador-Itaparica entram em julho em uma nova e decisiva etapa. No canteiro de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, equipes concretam as sapatas que darão sustentação à Plataforma Linear Provisória (PLP) — a estrutura sobre o mar que servirá de espinha dorsal para toda a construção — e concluem a demolição de ruínas pré-existentes na área.

Ao mesmo tempo, avança a montagem e os testes dos equipamentos que farão a cravação das estacas metálicas no leito da Baía de Todos-os-Santos (BTS): estrutura-guia para posicionamento das estacas, martelo vibratório, martelo de percussão e dois guindastes de grande porte, com capacidade entre 150 e 320 toneladas, instalados sobre balsas para as operações offshore.

Menos barcos na Baía, mais controle sobre resíduos

Mais do que um atalho de engenharia, a PLP é apresentada pelo governo baiano como peça-chave para reduzir o impacto da obra sobre a Baía de Todos-os-Santos — patrimônio ambiental, pesqueiro e cultural do povo baiano.
“Com a PLP, vamos organizar melhor a operação, dar mais previsibilidade ao cronograma e reduzir em quase 70% o número de embarcações circulando na Baía durante a construção. E teremos ganhos ambientais importantes, com um controle mais eficiente da coleta e do descarte dos resíduos gerados na construção”, afirma o secretário de Infraestrutura da Bahia, Saulo Pontes.
A plataforma será erguida paralela ao traçado da futura ponte e terá cerca de 11,2 quilômetros de extensão. A construção será dividida em duas fases: os trabalhos começam pela margem de Itaparica e, em seguida, pela de Salvador. As duas frentes avançarão uma em direção à outra até se encontrarem no eixo central da ponte.
Segurança para quem constrói
A escolha pela plataforma também responde a uma preocupação central em obras marítimas: as condições de trabalho. A ponte será erguida em área de mar aberto na BTS, exposta a ventos, correntes, variações de maré e ondas — fatores que, em operações feitas exclusivamente com balsas, encarecem a obra, atrasam cronogramas e, sobretudo, elevam os riscos para os trabalhadores.
“Construções como a da ponte Salvador-Itaparica têm sido executadas com balsas, carregando pessoal, equipamentos e materiais, mas ficam suscetíveis a ondas e à variação das marés. Com a plataforma provisória, o transporte pode se dar a qualquer momento e nas mesmas condições de segurança, durante todo o período de execução das obras”, explica o superintendente de Projetos e Engenharia da SVPonte, Ubaldo Brito.
Capaz de suportar máquinas pesadas e equipamentos de grande porte, a estrutura funcionará como uma base de trabalho estável para atividades de alta precisão. Por não ficar à mercê de marés, ondulações e vento, garante a continuidade dos serviços, otimiza a execução das fundações e da superestrutura e contribui diretamente para encurtar o prazo total da obra.
Uma obra que o povo da Ilha espera há décadas
A Ponte Salvador-Itaparica é uma reivindicação histórica das populações da Ilha e do Recôncavo, que hoje dependem do sistema ferry-boat ou de um longo contorno rodoviário para chegar à capital. Mais do que concreto e aço sobre a Baía, o projeto carrega a promessa de encurtar distâncias, dinamizar a economia do Recôncavo e do Baixo Sul e levar desenvolvimento a regiões historicamente deixadas à margem dos grandes investimentos.
O desafio, daqui em diante, é fazer com que o cronograma anunciado se cumpra — e com que os ganhos ambientais e sociais prometidos saiam do discurso oficial e se materializem nas águas e nas margens da Baía de Todos-os-Santos.

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