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A autorização para transferência do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, determinada nesta quinta-feira (20) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, é vista como um movimento estratégico que pode acelerar as negociações para um acordo de delação premiada.

Vorcaro deixou uma unidade de segurança máxima e passou a ficar mais próximo das equipes da Polícia Federal responsáveis pelo caso, o que deve facilitar a realização de depoimentos e o avanço das tratativas com investigadores. Na nova acomodação, o banqueiro chegou a ocupar a mesma sala anteriormente utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, a transferência é interpretada como um indicativo claro de que o processo de colaboração já foi iniciado. O empresário firmou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e com a Polícia Federal, etapa considerada fundamental para a formalização de uma eventual delação. O advogado José Luís Oliveira Lima também procurou a PF para comunicar oficialmente o interesse do cliente em colaborar com as investigações.

Apesar dos avanços nas negociações, Vorcaro teve negado o pedido de prisão domiciliar. O ministro André Mendonça manteve o entendimento de que o banqueiro deve permanecer detido, citando riscos às investigações e sua suposta ligação com uma organização criminosa considerada perigosa. Ainda assim, a reunião entre defesa e magistrado consolidou as bases para um possível acordo.

A movimentação gerou desconforto no Palácio do Planalto, onde há avaliação de que Vorcaro pode tentar implicar integrantes do Executivo. Entre os pontos de atenção estão possíveis conexões envolvendo o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil Rui Costa, a partir de relações com um ex-sócio do banqueiro.

Paralelamente, a Polícia Federal prepara um relatório preliminar com dados extraídos de dispositivos de Vorcaro, que pode atingir figuras políticas. Entre os citados está o senador Ciro Nogueira, cuja atuação passou a ser analisada após mensagens indicarem interesse do banqueiro em uma proposta legislativa apresentada em 2024 sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que poderia beneficiar instituições financeiras como o Banco Master.

Outras frentes da investigação também envolvem movimentações financeiras suspeitas. O Banco Master e a empresa JBS teriam repassado R$ 18 milhões a uma consultoria que, por sua vez, realizou pagamentos ao advogado Kevin Nunes, filho do ministro do STF Kássio Nunes Marques. Kevin afirmou que os valores recebidos foram legais e relacionados a serviços na área fiscal, enquanto o magistrado não comentou o caso.

No campo pessoal, a repercussão também atingiu pessoas próximas ao banqueiro. Convocada pela CPI do crime organizado, a modelo Martha Graeff declarou, por meio de sua defesa, estar em estado de choque e profunda decepção após a prisão do ex-noivo, relatando abalo emocional e sinais de depressão.

O caso segue em desenvolvimento e pode ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, especialmente com a possível formalização da delação premiada e a divulgação de informações contidas nos relatórios da Polícia Federal.

Em continuidade à maratona de entregas no interior, Jerônimo Rodrigues inaugura escola e delegacia em Capela do Alto Alegre neste sábado (21)

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