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O governo federal conseguiu, ainda que por caminhos indiretos e com custo político elevado, adiar a sabatina de Jorge Messias no Senado, em meio a um momento particularmente delicado na relação entre o Planalto e o Congresso. Após críticas públicas e forte pressão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cancelou a sessão que analisaria a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina estava prevista para 10 de dezembro, mas não pôde ser mantida porque o Palácio do Planalto ainda não enviou a mensagem oficializando a indicação ao Legislativo — um procedimento obrigatório para que o processo avance. Em aviso interno, Alcolumbre classificou a demora como “grave” e “sem precedentes”.

A escolha de Messias ampliou o desgaste entre o Senado e o Executivo. Alcolumbre, que articulava a indicação de seu aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, demonstrou insatisfação desde o anúncio feito por Lula. A suspensão da sabatina cristalizou a tensão.

O Planalto nega que tenha segurado propositalmente os documentos para adiar a análise de Messias, mas aliados confirmam que Lula deu ordem expressa para ganhar tempo. O presidente foi alertado de que seu indicado não teria votos suficientes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A missão agora é reforçar a articulação política e encontrar o momento mais favorável para enviar a documentação ao Senado, destravando o processo.

O relator da indicação, senador Weverton Rocha (PSD-MA), informou diretamente a Lula, ainda na segunda-feira, que Messias não alcançaria os votos necessários para ser aprovado na sabatina. Diante do risco de derrota, o presidente intensificou a pressão sobre sua base para reverter o cenário hostil.

Saia justa para a Frente Evangélica

A indicação também expôs divisões internas entre parlamentares evangélicos. Embora Messias seja evangélico, a Frente, majoritariamente alinhada a pautas conservadoras, pretendia rejeitá-lo por sua proximidade com Lula. No entanto, segundo relatos de bastidores, passou a prevalecer a lógica do “ruim com ele, pior sem ele”: rejeitar Messias poderia levar o Planalto a indicar um nome considerado ainda mais distante das agendas conservadoras.

Críticas e erros de condução

A jornalista Miriam Leitão avaliou que o governo cometeu uma “sucessão de erros”. Segundo ela, a indicação foi anunciada no feriado de 20 de novembro, sem consulta prévia a Alcolumbre, que trabalhava pela nomeação de Rodrigo Pacheco. Após o anúncio, o governo ainda retardou o envio da comunicação oficial — tentativa de ajustar o calendário e evitar uma derrota iminente. O efeito, no entanto, foi o oposto: aumentou a irritação dos senadores e aprofundou o desgaste.

O futuro da indicação agora depende do reposicionamento político do governo, do humor do Senado e do cálculo de risco em torno da possível rejeição de Messias. O Planalto busca controlar a crise, mas enfrenta um Parlamento que cobra protagonismo e reage com firmeza a qualquer tentativa de manobra.

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