Caso Master: pedido da PF sobre relatório do Coaf ficou seis meses parado com MendonçaPolícia Federal solicitou em março acesso integral a documento que apontaria pagamentos do grupo de Vorcaro a autoridade com foro; pedido veio à tona após Fachin cobrar fim do sigilo.

Um pedido da Polícia Federal no caso Master ficou seis meses sem despacho na relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 10 de março deste ano, a PF solicitou autorização para ter acesso integral a um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontaria pagamentos do ecossistema do banqueiro Daniel Vorcaro a uma autoridade com foro por prerrogativa de função. O nome da autoridade aparece coberto por tarjas no documento, de 13 páginas.

A informação veio à tona depois que o presidente do STF, Edson Fachin, pediu a Mendonça a retirada do sigilo do processo que reúne detalhes da rede de pagamentos de Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou pela publicidade dos autos. No ofício enviado em março, a PF argumentou que “o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”.

Repasses ligados ao cunhado de Vorcaro

Segundo apuração da imprensa nacional, o relatório do Coaf registra repasses de empresas e operadores ligados a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como braço financeiro do banqueiro. Entre as entidades citadas no documento está a Igreja da Lagoinha Belvedere, fundada por Zettel. Fontes ouvidas pelo jornal O Globo afirmam que a autoridade tarjada seria um ministro do STF.

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Toffoli já foi citado em relatório da PF

Nos bastidores da Corte, há quem aposte que o nome protegido seja o do ministro Dias Toffoli, já mencionado em um relatório de cerca de 200 páginas da PF sobre a compra de participação de R$ 35 milhões na empresa do resort Tayaya, investigação arquivada em sessão secreta em fevereiro. Não há, até o momento, confirmação oficial sobre a identidade da autoridade.

O episódio aumenta a pressão sobre Mendonça, relator do caso Master, em uma semana decisiva no STF: nesta terça-feira (15), o plenário analisa se há base para investigar o ministro Alexandre de Moraes por mensagens atribuídas a Vorcaro, e uma sessão sobre a atuação do próprio Mendonça está marcada para o dia 23.

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