O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman, tornou público, durante sessão da Corte, um áudio de visualização única que recebeu antes do julgamento de uma representação contra o deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos). Na gravação, o parlamentar promete expor um dossiê contra o magistrado, em tom classificado pelo desembargador como ameaça às prerrogativas da magistratura.
No trecho divulgado, o autor da mensagem diz que a Bahia toda vai saber do conteúdo do dossiê caso o desembargador continue, em suas palavras, fazendo sacanagem com ele, e o acusa de estar a serviço de adversários políticos. Após a exposição do áudio, uma advogada de Nilo presente à sessão se disse surpresa com a atitude do deputado e afirmou não compactuar com o gesto.
Kertzman reafirmou que permanecerá à frente dos julgamentos com isenção. Segundo o magistrado, a divulgação da gravação não é uma questão pessoal, mas uma medida de proteção institucional. Ele declarou que reitera tudo o que disse na sessão, que as autoridades irão apurar os fatos e que continuará julgando sem se contaminar por nomes, ameaças ou viés partidário.
Deputado nega ameaça
Marcelo Nilo negou que tenha ameaçado o desembargador. O parlamentar sustenta que apenas comunicou ao magistrado que lhe enviaria um dossiê que recebeu de terceiros, e anunciou que pretende ler o material da tribuna da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira. Nilo também acusou o presidente do TRE-BA de manter supostas ligações com políticos do PT na Bahia, sem apresentar provas.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que a conduta atribuída ao deputado, a depender do que for apurado, pode configurar tentativa de constrangimento a membro do Poder Judiciário, com desdobramentos nas esferas penal e eleitoral. O episódio ocorre em pleno calendário das eleições de 2026, quando o tribunal julga representações de interesse direto dos pré-candidatos.
O caso deve seguir repercutindo nos próximos dias, com a expectativa de manifestações formais do próprio tribunal e possível atuação do Ministério Público Eleitoral.
